quarta-feira, 22 de junho de 2016

Dodo e o rato

Como já mencionado nos capítulos anteriores, Dodo não era um cachorro muito inteligente, desde pequeno já mostrava indícios de sua lentidão de raciocínio, porém tinha uma voracidade para comer que ganhava de todos os outros cachorros.
Em certa ocasião, minha sogra havia colocado veneno para ratos na sua lavanderia, pois ela tinha percebido a presença de um ou mais desses animais naquele local.
Após alguns dias, apareceu uma ratazana enorme cambaleante no quintal e Dodo, antes que pudéssemos fazer alguma coisa, em apenas duas bocadas engoliu a criatura que tinha, ao menos, metade do seu tamanho e que, provavelmente, estava envenenada.
Foi um desespero, um filhote de rottweiler que tinha apenas dois meses com uma ratazana enorme na barriga. O que faríamos agora? Decidimos tentar fazê-lo vomitar, mas o bicho era muito grande. Então, levamos o pequeno ao veterinário para ver o que poderíamos fazer.
No consultório foi um drama, apertavam o estômago do coitado, davam soluções para fazê-lo expulsar o bicho, e nada. Após algumas horas de sofrimento, o defunto foi expelido e Dodo ficou aliviado.

Logicamente, a visita ao veterinário e a mão de obra que o bichinho deu não saíram barato. Aos poucos, fomos conhecendo a encrenca que adotamos.


sábado, 14 de maio de 2016

MEU NOME É THOR, MAS PODE ME CHAMAR DE DODO

        Era um dia comum, como qualquer outro. Eu tinha voltado do trabalho e estava preparando o jantar, quando eu ouvi meu marido chegar à garagem e gritar meu nome e o da minha filha. Achei que tinha acontecido algo.
      Quando desci pelas escadas, juntamente com minha filha, vimos a surpresa inesperada: meu marido segurando um filhote de rottweiler todo sujo de vômito.
    Olhando para aquela criaturinha fofa, que parecia um ursinho de pelúcia, comecei a imaginar as proporções que ela tomaria em pouco tempo e o convívio com os outros três cães que tínhamos em casa.
     Meu marido, segurando a criatura diante de nós duas boquiabertas, disse: “Esse é o Thor”.
   Thor estava se dando bem com as fêmeas, que eram enormes em comparação a ele, porém, percebíamos o quanto ele irritava o “Tio Zeuzito”, dando-lhe mordidas em sua nuca. O filhote aparentava crescer diariamente e, embora crescesse muito rápido, o jovem apresentava uma lerdeza nos reflexos que considerávamos um tanto anormal.
   Os cachorros costumavam ficar à noite no quintal e, de manhã, costumávamos soltá-los num terreno maior. Quando abríamos a porta, todos os cachorros saíam correndo rapidamente. No entanto, Thor ficava parado durante alguns segundos e depois que se tocava que todos não estavam mais lá, ele saía correndo repentinamente.
        Outro indício da sua falta de raciocínio foi quando minha filha brincava com um olho de borracha, fingindo que ele estava em seu rosto. Thor ficou olhando com estranheza para ela, porém, continuou andando em direção à parede. Ao bater sua cabeça no obstáculo, por pura distração, começou a latir para a parede, como se ela tivesse batido nele.
        Aos seis meses de idade, o pequeno rottweiler já estava bem maior que a boxer. Porém, quanto Cotó latia, ele se encolhia todo e chorava, pois não tinha sequer noção de seu tamanho.
       Por causa da demora para perceber as coisas, começamos a chamá-lo de Dodo e ele aceitou o novo nome.



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Cotó e o peru de Natal



       Nossa cadela Cotó seguia crescendo em tamanho e sem-vergonhice, nós percebíamos o quanto ela era brincalhona, sociável e inteligente. Criando alguns hábitos interessantes, como abrir a porta da cozinha quando estávamos distraídos.
      Quando ela percebia que nós saíamos de perto, ela ficava em pé em frente à porta e batia no trinco com sua pata, até que a porta se abria e ela entrava para roubar comida. Coisa que ela fez várias vezes. E quando nós a pegávamos no pulo, ela nos olhava com cara de assustada e saía disfarçando, como se nada estivesse acontecendo.
     Uma vez, ela entrou na cozinha, pegou alguns peixes fritos e foi comer sobre nossa cama, dessa vez ela só levou um xingo. Numa outra ocasião, roubou uma bola de carne moída congelada que estava sobre a pia, dessa vez eu bati nela com uma vara que encontrei no chão e ela ficou uma semana sem olhar para mim, sentindo-se no direito de ficar magoada, sendo que estava errada.
      Mas o episódio mais marcante foi numa véspera de Natal, quando a danada roubou um peru congelado inteiro. Na hora que percebemos, ela já estava mordendo o peru, arrebentando a rede e o plástico que o envolviam e chegando à carne.
      Felizmente, conseguimos resgatar o peru quase inteiro graças ao revestimento plástico. Tivemos apenas que cortar parte do pescoço e do “ombro” dele. Mas a cena ridícula foi na hora da ceia, quando foi retirado aquele peru “deficiente” do forno e servido para a família, sendo que a primeira a ter saboreado um pedaço à tarde tinha sido a Cotó.

       Foi um Natal inesquecível!


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A socialização da cachorrada



            Isis não era muito sociável. Desde que chegou, brigava pela comida e mostrava os dentes cada vez que os outros chegavam perto dela. Mas, aos poucos, ela foi aceitando a proximidade de Zeus e Cotó.
            No entanto, Zeus, sempre provocativo, tentava-lhe fazer as mesmas malvadezas que fazia com a Cotó, como pular sobre ela, morder as juntas de suas pernas e outras brincadeiras de mau gosto.
            A doberman rosnava para ele e começavam uma “discussão” cada vez que um fazia algo que o outro não gostava e percebi que Cotó fazia algo interessante. Quando a “discussão” de rosnados começava, ela “cochichava” algo em cachorrês no ouvido de cada um bem baixinho, do tipo: “Uóuóuó -uóuó – uóuó” e os dois paravam de discutir.
            Quem já teve um cão da raça boxer sabe distinguir um latido normal (AU! AU!) de um latido em que eles tentam “falar algo na boa” (uóuóuó).

            E assim, seguia tudo em paz com a intervenção de Cotó, a conciliadora.



segunda-feira, 18 de abril de 2016

As visitas de Gabi

AS VISITAS DE GABI

     Minha filha tinha uma amiguinha chamada Gabriela, chamada carinhosamente de Gabi, que vinha brincar em nossa casa.
            Zeuzito, o nosso rabugento lhasa, costumava ser muito impaciente com minha filha, porém, quando Gabi nos visitava, eu tinha a impressão de que ele se “comportava” perante a visita.
           Lembro-me de que ele servia de brinquedo para as duas e, numa das ocasiões, eu presenciei uma engraçada cena em que as meninas tinham colocado o Zeus sobre um triciclo e estavam rodando com ele pelo quintal. O pobre cãozinho aparentava estar zonzo, mas estava firme, aguentando a brincadeira.
       Numa outra ocasião, estavam fazendo de conta que ele era um bebê e chacoalhavam-no de um lado para outro.
         Já a Cotó, que aparentava ter um amor maternal por minha filha Tamires, olhava imóvel para a brincadeira das duas, ao mesmo tempo vigiando para ver se minha filha não se machucava e demonstrando um ciúme enorme quando as duas meninas estavam juntas.
            A Isis era mais fria e não ligava para nada, apenas ficava em seu canto.
          O mais interessante é que os cachorros pareciam entender que a visita era uma criança e que não deveriam agredi-la, pois era amiguinha da sua dona. Porém, vigiavam as brincadeiras para que nada de mal acontecesse a ela.
           Quando a garotinha ia embora, eu percebia que os cachorros relaxavam. Principalmente o Zeus, que não só assistia, mas também era parte integrante das brincadeiras e apesar de sofrer “um pouco”, demonstrava muita paciência, sem agressões ou vinganças.

            Foi uma época muito gostosa...

quinta-feira, 7 de abril de 2016

A poderosa Isis

A PODEROSA ISIS

            Naquele momento de nossas vidas, tínhamos dois cachorros: um lhasa apso e uma boxer. No entanto, começamos a nos dar conta de que nenhum dos dois servia para proteger a casa, pois a boxer, apesar do aspecto belicoso, tinha um temperamento brincalhão e sociável. Enquanto o lhasa, mais parecia um brinquedo de pelúcia.
            Meu marido fez uma pesquisa na internet e descobriu que estavam doando filhotes de doberman em São Paulo, a aproximadamente 70 km da nossa cidade.
            Eu, particularmente, morria de medo dessa raça por ter assistido um filme dos anos 80 chamado “A gangue dos dobermans”, no qual cachorros eram treinados para praticar assaltos e eram extremamente inteligentes e agressivos. Além de ter presenciado um episódio de ataque de um doberman a um passarinho que eu tinha quando criança. Mas, pela questão de precisar de um cão de guarda mais eficiente, fomos atrás do cachorro.
          Chegamos a São Paulo e encontramos o endereço, que ficava no bairro do Morumbi.
        A dona nos levou aos filhotes e, na verdade eram oito mestiços de doberman com outra raça desconhecida. Dos oito, três tinham características da raça: focinho comprido, dentes afiados e um porte magro e elegante. Decidimos ficar com uma que parecia muito dócil e tinha recebido o nome de Florzinha.

          A viagem de 70 km para Florzinha foi um martírio, pois ela ficava assustada com os trancos do carro e chorava. Finalmente, depois de aproximadamente duas horas, chegamos a nossa casa, descarregamos a Florzinha sob os olhares curiosos de Zeus e Cotó e decidimos batizá-la de Isis (a “poderosa” Isis).







terça-feira, 5 de abril de 2016

As orgias gastronômicas de Zeuzito

AS ORGIAS GASTRONÔMICAS DE ZEUZITO

        Zeus, ou Zeuzito como chamamos carinhosamente, era muito pequeno quando veio, porém, como dizem, tamanho não é documento, muito menos sinônimo de pouca inteligência.
       Certo dia, havíamos descarregado as compras na cozinha e havíamos ido cuidar de algumas coisas do outro lado da casa. Nesse intervalo de tempo, o pequeno lhasa conseguiu passar por baixo da porta, devorou um pacote inteiro de biscoitos recheados, uma parte das salsichas que havíamos comprado, além de ter feito uma bagunça com as compras para selecionar o que mais lhe agradava.
        Quando voltamos para casa, o pequeno estava deitado no chão da sala com a barriga rosada virada para cima e estufada de tanta comida. Não conseguia nem se mexer para fugir de nós.
       Em outra ocasião, havíamos deixado uma pizza de frango com catupiry sobre a mesa e saímos de casa por alguns instantes. Lembrando que essa pizza trazia o catupiry disposto em forma de treliça sobre o frango desfiado.
        Ao entrarmos em casa, Zeuzito estava sobre a pizza e havia comido todo o catupiry dela e o engraçado é que ele estava com um dos lados dos pelos de sua boca virados para dentro, dando-lhe uma impressão de estar sorrindo lateralmente, tirando uma com a nossa cara.
     Não é preciso dizer que tivemos que inutilizar a pizza e grande parte acabou ficando para ele comer.
      Que cãozinho fominha!


domingo, 20 de março de 2016

A vingança de Zeus

A VINGANÇA DE ZEUS

            O fato que relatarei neste texto mostra o quanto os cães são inteligentes e, em alguns casos, vingativos.
Na postagem anterior, acredito que já se pôde ter uma ideia do temperamento do Zeus, nosso adoravelmente malvado lhasa apso. Esse temperamento foi confirmado em uma ocasião em que o fofíssimo cãozinho estava dentro de casa por ter acabado de tomar seu banho, ser secado e escovado.
Como Zeus, ainda muito pequeno, estava limpinho e fofo, minha filha de seis anos teve a infeliz ideia de tratá-lo como um brinquedo, levantando-o e agitando-o no ar, chacoalhando seu corpinho peludo como se fosse um boneco e, logicamente, o cãozinho ranzinza não havia gostado nada disso.
Após “brincar” com o Zeus, que foi apelidado carinhosamente de Zeuzito, minha filha resolveu deixá-lo no chão enquanto assistia televisão. O pequeno, que estava quieto, aparentemente dormindo no chão, de repente, correu em disparada em direção ao banheiro e, ao mesmo tempo, minha filha deu um grito.
Eu, que estava distraída ao lado de minha filha, não entendi, de início, o que havia acontecido, mas o que aconteceu foi o seguinte: o astuto cãozinho havia arquitetado um plano de vingança por causa da “brincadeira” de mau gosto de minha filha. Sendo assim, num período de aproximadamente 15 minutos, fingiu estar dormindo e esperou minha filha se distrair. Quando percebeu que ela estava distraída, tascou-lhe uma mordida em seu dedão e saiu correndo.
            Minha filha ficou chorando durante algum tempo, pois a mordida foi um tanto dolorida.
            Ao observar o acontecido, percebi o quanto os cachorros são espertos, mesmo com apenas quatro meses o danadinho já tinha o poder de dissimulação, ao fingir que dormia, a percepção da distração de uma criança, ao ver que ela assistia televisão, e a possível consequência dos seus atos, quando deu a mordida e saiu correndo.

            Cachorrinho danado! 



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

segunda-feira, 7 de março de 2016

Zeus, o rei da plataforma

ZEUS, O REI DA PLATAFORMA

            Antes de ter adotado o meu lhasa apso, que chamamos de Zeus, sempre tinha ouvido falar que os cachorros pequenos são muito valentes e não têm noção de seu tamanho e, realmente, Zeus veio comprovar essa hipótese.
            Embora ele a nossa boxer Cotó tivessem praticamente a mesma idade, 3 meses, ela era bem maior que ele. Porém, a valentia do pequeno superava em muito o seu tamanho, pois ele enfrentava a boxer, passava entre suas patas, mordiscando suas juntas e deixando-a perdida, tanto que ela ficou com muitas cicatrizes nas juntas das quatro patas.
            Às vezes, ela pisava nele, não por maldade, mas por não enxergá-lo e o cãozinho soltava o sua reclamação característica: “Brrrrrr!”.
            Zeus, bem como seu nome indica, tinha uma mania de grandeza e não admitia ser mais fraco ou menor e, num certo dia, percebeu que poderia subir numa pequena plataforma no quintal e ficar “mais à altura” da boxer.
Como se não bastasse subir nessa pequena plataforma, observamos que o cãozinho fazia um movimento muito engraçado: quando percebia que Cotó estava parada em frente à plataforma, Zeus andava até a parte traseira do objeto, vinha correndo para a frente para dar impulso e saltava sobre a pobre cadela que não estava fazendo nada.
Acredito que na pequena cabeça cruel daquele cãozinho, ele imaginava estar voando naquela fração de segundo e “derrotando” sua oponente, saltando sobre ela. Quanta arrogância para pouco tamanho...
                                                    Google Images


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Cotó ganha um companheirinho, o Zeus

     Estávamos empolgados e muito felizes com nova cachorrinha em casa, quando meu sogro nos contou sobre o nascimento de uma ninhada de lhasas apso em sua casa. Decidimos visitar a nova família.
     Ao chegarmos lá, nos deparamos com o máximo da fofura: quatro bolinhas de pelo de cor branca e marrom andando e brigando entre si. Porém, o mais briguento nos chamou a atenção, com sua carinha ranzinza e seu resmungar que parecia o de um leãozinho.
     Acabamos adotando o cãozinho rabugento, dando-lhe um nome poderoso e imponente: Zeus.
    Chegando em casa, Cotó o olhou com estranheza e começou a cheirá-lo, Zeus, por sua vez apenas resmungava, andando de um lado para outro.
   Cotó investia seu charme na frente do lhasa apso, fazendo posição de brincar, aquela em que, geralmente os filhotes, abaixam-se sobre as patas dianteiras e deixam as traseiras em pé, abanando o rabinho ao mesmo tempo, mas ele continuava resmungando, andando de um lado ao outro.
     No final do dia, os dois acabaram dormindo juntos, sem choro do Zeus.

   Na época em que adotamos nossos cachorrinhos, em 2003, não era comum os celulares terem câmeras e esta foto do Zeus junto com minha filhinha foi tirada com uma câmera de filme.

De Athena a Cotó

      A primeira noite com a boxer filhote não foi muito fácil.
     Como nós ainda não havíamos comprado uma casinha de cachorro, improvisamos um cercadinho com um cobertor dobrado, ração e água. Mas, assustada com o novo lugar, a cadelinha chorava todas as vezes que apagávamos a luz.
  Os dias foram passando, nós fomos nos adaptando à nova habitante da casa e ela foi se acostumando, arranjamos uma casinha, compramos uns mimos e nos divertíamos com sua energia inesgotável, sem falar que foi uma ótima escolha para fazer companhia à minha filha.
     Às vezes, sua energia era tanta, que me atrapalhava em algumas tarefas...
     Eu costumava varrer o quintal todos os dias e a pequena Athena perseguia a vassoura, mordendo-a e puxando-a, era uma divertida guerra de manhã. Confesso que isso me irritava. Porém, quando ela me olhava com aqueles olhões amendoados e virava sua cabecinha lateralmente, eu não resistia, fazia-lhe carinho e ela se jogava no chão, virando sua barriguinha pra mim.
     Começamos a conhecer melhor essa raça e vimos que ela é muito brincalhona, inclusive com estranhos. Sua energia se revelava principalmente pela velocidade com que abanava seu rabinho cortado, que parecia movido a eletricidade de tão rápido que era. Isso nos chamou a atenção e falávamos: "Olha o cotozinho dela... Olha o cotó." E seu apelido-nome tornou-se Cotó.
     Acredito que isso aconteça com vários cachorros, pois aconteceu praticamente com todos os que adotamos. Eles foram "batizados" com um nome e, com o tempo, chamados de outros, ou porque combinavam mais, ou porque o nome inicial era complicado demais para ser chamado rapidamente.

                                                               fonte: Google Images

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Cotó, a primeira da matilha

     Em 2003, éramos três, numa pequena família tradicional, composta por pai, mãe e filha e nós, como pais, sentíamos a necessidade de uma companhia para nossa filhinha Tamires, de seis anos.
     Fomos a uma feira de cães, na cidade de Sorocaba. Passeamos pelo salão, olhando para os cães de diversas raças e tamanhos: poodles, pitbulls, rottweilers, chihuahuas, pinschers, entre outros. Porém, uma criaturinha nos chamou a atenção... Uma pequena boxer de cor caramelo, com um olhar cabisbaixo e triste, em suas orelhas havia duas marquinhas sem pelo.
     Continuamos andando pelo salão, aguardando o sorteio de um filhote de basset, no entanto, a pequena boxer não saía de nossas cabeças e já tinha cativado minha filha.
     Após o sorteio, no qual não fomos contemplados, voltamos à gaiola onde estava a pequena boxer e, para nossa felicidade, ninguém a havia comprado. Pedimos para vê-la e, como a feira estava acabando, a vendedora nos perguntou rispidamente se iríamos levá-la. Respondemos que sim.
     Pegamos a cadelinha no colo e sentimos sua pelagem fina, macia e quentinha, vimos aqueles olhos amendoados e pidonhos, juntamente com sua boquinha murcha e cabecinha em formato de ovo, característicos da raça. Simplesmente irresistível. 
     Perguntamos o motivo daquelas marquinhas sem pelo nas orelhas dela e responderam-nos que haviam colado fitinhas adesivas e elas tinham se soltado, juntamente com os pelinhos.
     Voltando para casa, após uma viagem de uma hora, a qual a cadelinha resistiu bem, sem enjoos, houve uma recepção digna de bebê novo na família, pela minha sogra e minha cunhada.
     Perguntamos à minha filha qual seria o nome da cadelinha e ela respondeu Athena, inspirada na personagem do desenho Cavaleiros do Zodíaco, que fazia sucesso na época.