Era um dia comum, como
qualquer outro. Eu tinha voltado do trabalho e estava preparando o jantar, quando
eu ouvi meu marido chegar à garagem e gritar meu nome e o da minha filha. Achei
que tinha acontecido algo.
Quando desci pelas escadas, juntamente com minha filha,
vimos a surpresa inesperada: meu marido segurando um filhote de rottweiler todo
sujo de vômito.
Olhando para aquela criaturinha fofa, que parecia um
ursinho de pelúcia, comecei a imaginar as proporções que ela tomaria em pouco
tempo e o convívio com os outros três cães que tínhamos em casa.
Meu marido, segurando a criatura diante de nós duas boquiabertas, disse: “Esse é o Thor”.
Thor estava se dando bem com as fêmeas, que eram enormes
em comparação a ele, porém, percebíamos o quanto ele irritava o “Tio Zeuzito”,
dando-lhe mordidas em sua nuca. O filhote aparentava crescer diariamente e, embora
crescesse muito rápido, o jovem apresentava uma lerdeza nos reflexos
que considerávamos um tanto anormal.
Os cachorros costumavam ficar à noite no quintal e, de
manhã, costumávamos soltá-los num terreno maior. Quando abríamos a porta, todos
os cachorros saíam correndo rapidamente. No entanto, Thor ficava parado durante
alguns segundos e depois que se tocava que todos não estavam mais lá, ele saía
correndo repentinamente.
Outro indício da sua falta de raciocínio foi quando minha
filha brincava com um olho de borracha, fingindo que ele estava em seu rosto.
Thor ficou olhando com estranheza para ela, porém, continuou andando em direção
à parede. Ao bater sua cabeça no obstáculo, por pura distração, começou a latir
para a parede, como se ela tivesse batido nele.
Aos seis meses de idade, o pequeno rottweiler já estava bem
maior que a boxer. Porém, quanto Cotó latia, ele se encolhia todo e chorava,
pois não tinha sequer noção de seu tamanho.
Por causa da demora para perceber as coisas, começamos a
chamá-lo de Dodo e ele aceitou o novo nome.
