domingo, 13 de maio de 2018

O feião e a pequenininha



Nossa boxer Cotó, conforme ia crescendo, tornava-se cada vez mais musculosa e sua boca cada vez mais murcha, dando a impressão de cachorro bravo. Zeus, por sua vez, com o passar do tempo ficava com os pelos mais compridos, dando-lhe um aspecto feminino.
Ao olhar para eles, automaticamente, as pessoas se referiam a Cotó como “ele” e a Zeus como “ela”.
Lembro-me de uma ocasião em que Zeus havia atravessado pelas grades para o lado do vizinho, um médico. Ao irmos resgatar o pequeno, o doutor disse:
– Ah, eu gosto da pequenininha – referindo-se a Zeus.
Em outra ocasião, tínhamos recebido visitas de uma família com três crianças e a tendência de qualquer criança é ir brincar com os cachorros. A mãe deles, muito preocupada, permitia que as crianças brincassem com Zeus, mas as alertava em relação à Cotó:
– Crianças, fiquem longe do feião! – referindo-se à pobre Cotó, sem saber que ela adorava crianças.
O pai das crianças olhava para a cara da cadela e dizia: “Nossa, que cachorro feio!”.
Não só esse casal, mas várias outras pessoas referiam-se à Cotó como cachorro feio e ao Zeus como a pequenininha bonitinha.
Nosso amor pela cadela era tão grande que não víamos feiura nenhuma nela. Para nós, era a mais linda do mundo, mais fofa e mais carinhosa. Agora, Zeus, apesar de sua aparência de bichinho de pelúcia, era o cãozinho mais cruel que conhecíamos.
Quem vê cara, não vê coração.



quarta-feira, 9 de maio de 2018

O desastroso pum do cãozinho Boca



Minha irmã decidiu morar em outro lugar, devido a um assalto que minha família havia sofrido na zona rural.
Junto com a mudança, ela adotou um boxer, que ficou alojado em nossa casa durante alguns dias. Ela não sabia como batizá-lo e, devido à boca muito grande que ele tinha, decidimos chamá-lo de Boca.
Quando chegou, Boca era muito magrinho, tinha dentes muito pequenos e o hábito de deitar levemente sua cabeça para o lado quando latia.
No meio de todos aqueles cachorros, ele parecia um anãozinho mirrado que gostava de brincar com Dodo, pois tinham a mesma idade, quatro meses.
Tamires, minha filha, ficou muito animada com o hóspede que estava lá, pegava-o no colo e ficava fazendo carinho. Quem não gostou nada disso foi Cotó, que via a pequena dona como sua cria. A cadela ficou tão magoada que ficou de costas para a cena e por mais ela a chamasse, Cotó não olhava.
Já era época de levar Dodo para ser vacinado e aproveitamos para convidar minha irmã para levar Boca ao veterinário.
Após a consulta dos dois filhotes, estávamos voltando para casa e Boca soltou um “pum” dentro do carro. Dodo, que não era muito fã de viagens de carro, passou mal com o cheiro e acabou vomitando toda a ração que havia comido antes da consulta. Que horror!





quinta-feira, 26 de abril de 2018

O amor maternal de Cotó


Nós percebíamos o quanto Cotó amava minha filha Tamires, a acompanhava, cuidava dela e morria de ciúmes quanto algum estranho se aproximava dela.
            Houve uma ocasião em que a menina foi passar o final de semana na casa de sua avó e, na época, nós não tínhamos tanta ideia do quanto os cães podem ter emoções humanas.
            Sem a nossa permissão, Cotó entrou em casa, passou por todos os cômodos e eu não havia entendido o porquê, pois entrar em casa era algo que não era permitido por mim e ela respeitava essa regra na minha presença.
            Após chamá-la várias vezes e ela não me obedecer, percebi seu intuito, quando ela cheirou um sapatinho da minha filha e chorou. A pobre cadela estava à procura da criança, achando que ela tinha ido embora!
            Quando Tamires voltou, foi uma alegria só. A cadela pulava e festejava a chegada de sua “cria”.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Dodo e o rato

Como já mencionado nos capítulos anteriores, Dodo não era um cachorro muito inteligente, desde pequeno já mostrava indícios de sua lentidão de raciocínio, porém tinha uma voracidade para comer que ganhava de todos os outros cachorros.
Em certa ocasião, minha sogra havia colocado veneno para ratos na sua lavanderia, pois ela tinha percebido a presença de um ou mais desses animais naquele local.
Após alguns dias, apareceu uma ratazana enorme cambaleante no quintal e Dodo, antes que pudéssemos fazer alguma coisa, em apenas duas bocadas engoliu a criatura que tinha, ao menos, metade do seu tamanho e que, provavelmente, estava envenenada.
Foi um desespero, um filhote de rottweiler que tinha apenas dois meses com uma ratazana enorme na barriga. O que faríamos agora? Decidimos tentar fazê-lo vomitar, mas o bicho era muito grande. Então, levamos o pequeno ao veterinário para ver o que poderíamos fazer.
No consultório foi um drama, apertavam o estômago do coitado, davam soluções para fazê-lo expulsar o bicho, e nada. Após algumas horas de sofrimento, o defunto foi expelido e Dodo ficou aliviado.

Logicamente, a visita ao veterinário e a mão de obra que o bichinho deu não saíram barato. Aos poucos, fomos conhecendo a encrenca que adotamos.


sábado, 14 de maio de 2016

MEU NOME É THOR, MAS PODE ME CHAMAR DE DODO

        Era um dia comum, como qualquer outro. Eu tinha voltado do trabalho e estava preparando o jantar, quando eu ouvi meu marido chegar à garagem e gritar meu nome e o da minha filha. Achei que tinha acontecido algo.
      Quando desci pelas escadas, juntamente com minha filha, vimos a surpresa inesperada: meu marido segurando um filhote de rottweiler todo sujo de vômito.
    Olhando para aquela criaturinha fofa, que parecia um ursinho de pelúcia, comecei a imaginar as proporções que ela tomaria em pouco tempo e o convívio com os outros três cães que tínhamos em casa.
     Meu marido, segurando a criatura diante de nós duas boquiabertas, disse: “Esse é o Thor”.
   Thor estava se dando bem com as fêmeas, que eram enormes em comparação a ele, porém, percebíamos o quanto ele irritava o “Tio Zeuzito”, dando-lhe mordidas em sua nuca. O filhote aparentava crescer diariamente e, embora crescesse muito rápido, o jovem apresentava uma lerdeza nos reflexos que considerávamos um tanto anormal.
   Os cachorros costumavam ficar à noite no quintal e, de manhã, costumávamos soltá-los num terreno maior. Quando abríamos a porta, todos os cachorros saíam correndo rapidamente. No entanto, Thor ficava parado durante alguns segundos e depois que se tocava que todos não estavam mais lá, ele saía correndo repentinamente.
        Outro indício da sua falta de raciocínio foi quando minha filha brincava com um olho de borracha, fingindo que ele estava em seu rosto. Thor ficou olhando com estranheza para ela, porém, continuou andando em direção à parede. Ao bater sua cabeça no obstáculo, por pura distração, começou a latir para a parede, como se ela tivesse batido nele.
        Aos seis meses de idade, o pequeno rottweiler já estava bem maior que a boxer. Porém, quanto Cotó latia, ele se encolhia todo e chorava, pois não tinha sequer noção de seu tamanho.
       Por causa da demora para perceber as coisas, começamos a chamá-lo de Dodo e ele aceitou o novo nome.



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Cotó e o peru de Natal



       Nossa cadela Cotó seguia crescendo em tamanho e sem-vergonhice, nós percebíamos o quanto ela era brincalhona, sociável e inteligente. Criando alguns hábitos interessantes, como abrir a porta da cozinha quando estávamos distraídos.
      Quando ela percebia que nós saíamos de perto, ela ficava em pé em frente à porta e batia no trinco com sua pata, até que a porta se abria e ela entrava para roubar comida. Coisa que ela fez várias vezes. E quando nós a pegávamos no pulo, ela nos olhava com cara de assustada e saía disfarçando, como se nada estivesse acontecendo.
     Uma vez, ela entrou na cozinha, pegou alguns peixes fritos e foi comer sobre nossa cama, dessa vez ela só levou um xingo. Numa outra ocasião, roubou uma bola de carne moída congelada que estava sobre a pia, dessa vez eu bati nela com uma vara que encontrei no chão e ela ficou uma semana sem olhar para mim, sentindo-se no direito de ficar magoada, sendo que estava errada.
      Mas o episódio mais marcante foi numa véspera de Natal, quando a danada roubou um peru congelado inteiro. Na hora que percebemos, ela já estava mordendo o peru, arrebentando a rede e o plástico que o envolviam e chegando à carne.
      Felizmente, conseguimos resgatar o peru quase inteiro graças ao revestimento plástico. Tivemos apenas que cortar parte do pescoço e do “ombro” dele. Mas a cena ridícula foi na hora da ceia, quando foi retirado aquele peru “deficiente” do forno e servido para a família, sendo que a primeira a ter saboreado um pedaço à tarde tinha sido a Cotó.

       Foi um Natal inesquecível!