Nossa boxer Cotó, conforme ia crescendo, tornava-se cada vez mais musculosa e sua
boca cada vez mais murcha, dando a impressão de cachorro bravo. Zeus, por sua
vez, com o passar do tempo ficava com os pelos mais compridos, dando-lhe um
aspecto feminino.
Ao olhar para eles, automaticamente, as pessoas se referiam a Cotó como
“ele” e a Zeus como “ela”.
Lembro-me de uma ocasião em que Zeus havia atravessado pelas grades para
o lado do vizinho, um médico. Ao irmos resgatar o pequeno, o doutor disse:
– Ah, eu gosto da pequenininha – referindo-se a Zeus.
Em outra ocasião, tínhamos recebido visitas de uma família com três
crianças e a tendência de qualquer criança é ir brincar com os cachorros. A mãe
deles, muito preocupada, permitia que as crianças brincassem com Zeus, mas as
alertava em relação à Cotó:
– Crianças, fiquem longe do feião! – referindo-se à pobre Cotó, sem saber
que ela adorava crianças.
O pai das crianças olhava para a cara da cadela e dizia: “Nossa, que
cachorro feio!”.
Não só esse casal, mas várias outras pessoas referiam-se à Cotó como
cachorro feio e ao Zeus como a pequenininha bonitinha.
Nosso amor pela cadela era tão grande que não víamos feiura nenhuma
nela. Para nós, era a mais linda do mundo, mais fofa e mais carinhosa. Agora,
Zeus, apesar de sua aparência de bichinho de pelúcia, era o cãozinho mais cruel
que conhecíamos.
Quem vê cara, não vê coração.






