segunda-feira, 25 de abril de 2016

Cotó e o peru de Natal



       Nossa cadela Cotó seguia crescendo em tamanho e sem-vergonhice, nós percebíamos o quanto ela era brincalhona, sociável e inteligente. Criando alguns hábitos interessantes, como abrir a porta da cozinha quando estávamos distraídos.
      Quando ela percebia que nós saíamos de perto, ela ficava em pé em frente à porta e batia no trinco com sua pata, até que a porta se abria e ela entrava para roubar comida. Coisa que ela fez várias vezes. E quando nós a pegávamos no pulo, ela nos olhava com cara de assustada e saía disfarçando, como se nada estivesse acontecendo.
     Uma vez, ela entrou na cozinha, pegou alguns peixes fritos e foi comer sobre nossa cama, dessa vez ela só levou um xingo. Numa outra ocasião, roubou uma bola de carne moída congelada que estava sobre a pia, dessa vez eu bati nela com uma vara que encontrei no chão e ela ficou uma semana sem olhar para mim, sentindo-se no direito de ficar magoada, sendo que estava errada.
      Mas o episódio mais marcante foi numa véspera de Natal, quando a danada roubou um peru congelado inteiro. Na hora que percebemos, ela já estava mordendo o peru, arrebentando a rede e o plástico que o envolviam e chegando à carne.
      Felizmente, conseguimos resgatar o peru quase inteiro graças ao revestimento plástico. Tivemos apenas que cortar parte do pescoço e do “ombro” dele. Mas a cena ridícula foi na hora da ceia, quando foi retirado aquele peru “deficiente” do forno e servido para a família, sendo que a primeira a ter saboreado um pedaço à tarde tinha sido a Cotó.

       Foi um Natal inesquecível!


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A socialização da cachorrada



            Isis não era muito sociável. Desde que chegou, brigava pela comida e mostrava os dentes cada vez que os outros chegavam perto dela. Mas, aos poucos, ela foi aceitando a proximidade de Zeus e Cotó.
            No entanto, Zeus, sempre provocativo, tentava-lhe fazer as mesmas malvadezas que fazia com a Cotó, como pular sobre ela, morder as juntas de suas pernas e outras brincadeiras de mau gosto.
            A doberman rosnava para ele e começavam uma “discussão” cada vez que um fazia algo que o outro não gostava e percebi que Cotó fazia algo interessante. Quando a “discussão” de rosnados começava, ela “cochichava” algo em cachorrês no ouvido de cada um bem baixinho, do tipo: “Uóuóuó -uóuó – uóuó” e os dois paravam de discutir.
            Quem já teve um cão da raça boxer sabe distinguir um latido normal (AU! AU!) de um latido em que eles tentam “falar algo na boa” (uóuóuó).

            E assim, seguia tudo em paz com a intervenção de Cotó, a conciliadora.



segunda-feira, 18 de abril de 2016

As visitas de Gabi

AS VISITAS DE GABI

     Minha filha tinha uma amiguinha chamada Gabriela, chamada carinhosamente de Gabi, que vinha brincar em nossa casa.
            Zeuzito, o nosso rabugento lhasa, costumava ser muito impaciente com minha filha, porém, quando Gabi nos visitava, eu tinha a impressão de que ele se “comportava” perante a visita.
           Lembro-me de que ele servia de brinquedo para as duas e, numa das ocasiões, eu presenciei uma engraçada cena em que as meninas tinham colocado o Zeus sobre um triciclo e estavam rodando com ele pelo quintal. O pobre cãozinho aparentava estar zonzo, mas estava firme, aguentando a brincadeira.
       Numa outra ocasião, estavam fazendo de conta que ele era um bebê e chacoalhavam-no de um lado para outro.
         Já a Cotó, que aparentava ter um amor maternal por minha filha Tamires, olhava imóvel para a brincadeira das duas, ao mesmo tempo vigiando para ver se minha filha não se machucava e demonstrando um ciúme enorme quando as duas meninas estavam juntas.
            A Isis era mais fria e não ligava para nada, apenas ficava em seu canto.
          O mais interessante é que os cachorros pareciam entender que a visita era uma criança e que não deveriam agredi-la, pois era amiguinha da sua dona. Porém, vigiavam as brincadeiras para que nada de mal acontecesse a ela.
           Quando a garotinha ia embora, eu percebia que os cachorros relaxavam. Principalmente o Zeus, que não só assistia, mas também era parte integrante das brincadeiras e apesar de sofrer “um pouco”, demonstrava muita paciência, sem agressões ou vinganças.

            Foi uma época muito gostosa...

quinta-feira, 7 de abril de 2016

A poderosa Isis

A PODEROSA ISIS

            Naquele momento de nossas vidas, tínhamos dois cachorros: um lhasa apso e uma boxer. No entanto, começamos a nos dar conta de que nenhum dos dois servia para proteger a casa, pois a boxer, apesar do aspecto belicoso, tinha um temperamento brincalhão e sociável. Enquanto o lhasa, mais parecia um brinquedo de pelúcia.
            Meu marido fez uma pesquisa na internet e descobriu que estavam doando filhotes de doberman em São Paulo, a aproximadamente 70 km da nossa cidade.
            Eu, particularmente, morria de medo dessa raça por ter assistido um filme dos anos 80 chamado “A gangue dos dobermans”, no qual cachorros eram treinados para praticar assaltos e eram extremamente inteligentes e agressivos. Além de ter presenciado um episódio de ataque de um doberman a um passarinho que eu tinha quando criança. Mas, pela questão de precisar de um cão de guarda mais eficiente, fomos atrás do cachorro.
          Chegamos a São Paulo e encontramos o endereço, que ficava no bairro do Morumbi.
        A dona nos levou aos filhotes e, na verdade eram oito mestiços de doberman com outra raça desconhecida. Dos oito, três tinham características da raça: focinho comprido, dentes afiados e um porte magro e elegante. Decidimos ficar com uma que parecia muito dócil e tinha recebido o nome de Florzinha.

          A viagem de 70 km para Florzinha foi um martírio, pois ela ficava assustada com os trancos do carro e chorava. Finalmente, depois de aproximadamente duas horas, chegamos a nossa casa, descarregamos a Florzinha sob os olhares curiosos de Zeus e Cotó e decidimos batizá-la de Isis (a “poderosa” Isis).







terça-feira, 5 de abril de 2016

As orgias gastronômicas de Zeuzito

AS ORGIAS GASTRONÔMICAS DE ZEUZITO

        Zeus, ou Zeuzito como chamamos carinhosamente, era muito pequeno quando veio, porém, como dizem, tamanho não é documento, muito menos sinônimo de pouca inteligência.
       Certo dia, havíamos descarregado as compras na cozinha e havíamos ido cuidar de algumas coisas do outro lado da casa. Nesse intervalo de tempo, o pequeno lhasa conseguiu passar por baixo da porta, devorou um pacote inteiro de biscoitos recheados, uma parte das salsichas que havíamos comprado, além de ter feito uma bagunça com as compras para selecionar o que mais lhe agradava.
        Quando voltamos para casa, o pequeno estava deitado no chão da sala com a barriga rosada virada para cima e estufada de tanta comida. Não conseguia nem se mexer para fugir de nós.
       Em outra ocasião, havíamos deixado uma pizza de frango com catupiry sobre a mesa e saímos de casa por alguns instantes. Lembrando que essa pizza trazia o catupiry disposto em forma de treliça sobre o frango desfiado.
        Ao entrarmos em casa, Zeuzito estava sobre a pizza e havia comido todo o catupiry dela e o engraçado é que ele estava com um dos lados dos pelos de sua boca virados para dentro, dando-lhe uma impressão de estar sorrindo lateralmente, tirando uma com a nossa cara.
     Não é preciso dizer que tivemos que inutilizar a pizza e grande parte acabou ficando para ele comer.
      Que cãozinho fominha!