Nossa cadela Cotó seguia crescendo em tamanho e
sem-vergonhice, nós percebíamos o quanto ela era brincalhona, sociável e
inteligente. Criando alguns hábitos interessantes, como abrir a porta da cozinha
quando estávamos distraídos.
Quando ela percebia que nós saíamos de perto, ela ficava
em pé em frente à porta e batia no trinco com sua pata, até que a porta se
abria e ela entrava para roubar comida. Coisa que ela fez várias vezes. E
quando nós a pegávamos no pulo, ela nos olhava com cara de assustada e saía
disfarçando, como se nada estivesse acontecendo.
Uma vez, ela entrou na cozinha, pegou alguns peixes fritos
e foi comer sobre nossa cama, dessa vez ela só levou um xingo. Numa outra
ocasião, roubou uma bola de carne moída congelada que estava sobre a pia, dessa
vez eu bati nela com uma vara que encontrei no chão e ela ficou uma semana sem
olhar para mim, sentindo-se no direito de ficar magoada, sendo que estava
errada.
Mas o episódio mais marcante foi numa véspera de Natal,
quando a danada roubou um peru congelado inteiro. Na hora que percebemos, ela
já estava mordendo o peru, arrebentando a rede e o plástico que o envolviam e
chegando à carne.
Felizmente, conseguimos resgatar o peru quase inteiro
graças ao revestimento plástico. Tivemos apenas que cortar parte do pescoço e
do “ombro” dele. Mas a cena ridícula foi na hora da ceia, quando foi retirado
aquele peru “deficiente” do forno e servido para a família, sendo que a
primeira a ter saboreado um pedaço à tarde tinha sido a Cotó.
Foi um Natal inesquecível!




